A principal causa da instabilidade e dos consequentes capotamentos é uma variável chamada "Fator de Estabilidade Estática" (SSF), que é a proporção entre a altura do centro de gravidade e a bitola (largura) do veículo, calculada pela fórmula:
SSF = T/2CGOnde "T" é a bitola dianteira e "CG" é a altura do centro de gravidade.
Quanto maior o "SSF", melhor a estabilidade.
No modelo da figura abaixo, o SSF da caminhonete é 1 e o do sedan é 1,5, indicando que este tem uma estabilidade 50% maior, ou seja, a caminhonete tem 50% mais risco de capotar, em relação ao automóvel.
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Outro fator importante é a própria existência da carroceria (caçamba), que nas curvas sofre um efeito maior da Força Centrípeta, desestabilizando o movimento e forçando o carro a sair pela tangente. Neste caso, quanto mais leve e mais longa a caçamba, maior o risco de capotamento, devido à redução da aderência dos pneus traseiros e ao aumento da Força Centrípeta.
Então, por que se vende tanta caminhonete?
Boris Feldman, engenheiro mecânico especializado em veículos automotores e tráfego, piloto de automobilismo e jornalista brasileiro ironiza, dizendo que é "burrice o brasileiro" comprar caminhonete.
Mas, igualmente com humor, eu diria que não é só "o brasileiro"!
É qualquer um que não use o veículo pra transportar mercadorias ou animais.
Caminhonete é uma caçamba para carregar carga: sacos de cimento, milho, caixas de mercadorias, esterco, areia, porcos, etc...
Se insistir em colocar as bagagens e objetos pessoais numa eventual viagem, a poeira ou a chuva vão fazer um bom estrago! E se misturar os dois, vira lama e será o caos.
Ainda há que se considerar o risco que se corre quando parar na estrada pra lanchar e o meliante cortar a lona com um canivete e levar tudo.
Eu tenho alguns amigos que têm caminhonete, mas costumo brincar que é frustração da infância!
É que são filhos de fazendeiro e logicamente, era o carro ideal do pai deles.
Mas para uma pessoa de vida urbana, não faz o menor sentido, a menos que atue no comércio ou na construção civil, pra carregar mercadoria ou material de construção.
Um desses amigos viajou pra praia com a caçamba cheia de malas e enquanto almoçava na estrada, o vagabundo levou tudo.
Sem falar do desconforto no banco de trás e o pior: a concepção estrutural dessa categoria de veículo não propicia estabilidade para trafegar em velocidades elevadas. Nenhuma caminhonete passa nos testes de capotagem em curva (chamado "teste do alce") a mais de 75 km/h. Todas capotam ou levantam as rodas.
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Marcio Almeida é Engenheiro Mecânico e Engenheiro Industrial, Administrador de Empresas, MBA em Gestão Governamental e Ciência Política, Especialista em Informática, Especialista em Direito Administrativo Disciplinar, ex Diretor de Auditoria Legislativa e ex Presidente de Processos Disciplinares na Administração Federal Brasileira, Diplomado da Escola Superior de Guerra, M∴M∴, Escritor, Músico Amador, Meio-Maratonista, pesquisador autodidata em Nutrologia e Nutrição Esportiva, História e Sociologia.
